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É sem medo que chego ao talento do vazio.
Também a pele é doada em vão
à trivialidade da
carne.
Não importa o custo:
no mercado negro do coração, qualquer gesto é
altíssimo.
É sem medo que negoceio a alma num ofício clandestino e
profissional.
Trafico o corpo ao preço da chuva,
a marginalidade do meu sexo
é como um dilúvio que percorre as ruas.
É sem medo que não sei dar-te o meu nome.
De que serve trocarmos os nossos reféns pela violência da paixão?
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[imagem de nan goldin]
