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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

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Pois, tu sabias. Sempre foi como tu sabias. Havia esse espaco, a distância entre o nascimento e a morte do que ocupas, uma terra plana. E eu ali, com a mão a pôr-se vermelha e quieta no lado estreito da minha sombra, num dia qualquer que termina. Tu sabias. Dezembro era um país habitado de muitos meses e os dias tão escuros como os nossos erros, a faltar-nos mais um ano. Depois as horas. Antes do tempo. Tu sabias.
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

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não precisas de um sinónimo porque as palavras são caras na despesa do coração. ou antes, se te explico, agarro um cigarro com a doçura da noite presa à boca e gasto todos os livros. nunca expliquei coisa alguma sem ser nos livros ou no avesso da história dos teus braços.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

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chega-te para lá ou
que me doem as noites em que os teus braços
se ausentam e
as tuas pernas se esquivam à portagem
do amor
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aqui é o meu sono
e a minha sede
a cabeceira


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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

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Queria escrever disto uma crónica,
começar,
isto é uma crónica sobre.
Ou ainda.
Queria uma crónica sobre o silêncio que descrevesse
como o silêncio actua na impressão crónica,
disto.
Ou seja,
isto é um acto contínuo na ausência das palavras,
assim como ou sobretudo,
uma dor.

Podia ser assim,
ao doer-me aqui, isto,
eu seguro a lâmina e faço um corte,
dia dezoito de Novembro.
E então escreveria como eu vejo a ortografia do corpo:
o sangue estancou às vinte e três horas
da palavra dor ou
no meu grito.

Isto seria descritivo.


[E então crónica seria tão palpável como chão,
casa ou
mesa
e ao tocar-lhe
qualquer coisa fraca como um batimento ou
o lado ventríloquo do coração.
Mas não,
isto ou não sei dizer como,
torna-se antes um poema,
ainda,
uma pele.
E a pele vem por cima do coração
como a pele vem pela voz ou
pelo poema chega-se
à primeira intimidade
que é toda pele e voz tocada por dentro.

Isto seria destrutivo.]
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terça-feira, 18 de novembro de 2008

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a tristeza é um lugar ocupado de
pequenas banalidades
que actuam ao abrir da porta e
ao chegar
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é preciso dizer boa noite
ao interruptor das escadas
para tropeçar na casa aberta de
alguém
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a tristeza é o sítio onde
somos reconhecidos
à esquerda deste rés-do-chão
um andar abaixo da nossa identidade
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é preciso fingir esta morada e
ter um nome,
é preciso que nos enderecem a leitura
da água derramada neste silêncio
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terça-feira, 11 de novembro de 2008

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[antes de entrares]
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lembrei-me que o corpo
é um gesto magnífico na explicação do amor,
quando actua.

*

O fundo da tua roupa interior. O teu interior.
Lembro-me,

Chegaste tarde e eu à espera no corredor. A luz cheia no
quarto, o teu lado esquerdo da cama.

*

Penso em períodos de tempo, tu és a madrugada.
São 4 horas, dizes,
gosto das horas pares, são como as mãos.


*

Depois há o silêncio.


*

[antes de saíres]
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deixo a minha mão no rodapé do teu corpo
com uma nota interpretativa:
não há virgindade alguma no seio da nossa dor.
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[apenas medo]
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

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Ele a dizer,
perdes a mão ao não ir tão longe como chegam os outros que aqui tocam.

Há quem venha na pontuação de um clima claro e luminoso
quando as palavras se encostam na expressão das noites
e diga,
o teu rosto é a primeira hora da manhã.

Então é,
dizes,
a nudez é um processo de alvorada no silêncio da tua fisionomia.

Entretanto é tarde
ou não?

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sexta-feira, 25 de abril de 2008

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o nosso desassossego tem como militância as mãos erguidas ao alto das coisas.
é o esforço de trazê-las ao lado mais impermeável da nossa altura.

A nossa militância é:

empoleirarmo-nos da janela mais alta
que alcançamos do nosso nome para
saltar.


é o grito de lançá-lo ao lado mais profundo do nosso asfalto.

o nosso desassossego é uma mão centígrada que se enviesa
à temperatura ambiente.

que faremos quando tudo arde* e estivermos cá fora
na rua?

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* adaptação do título original de A.Lobo Antunes, Que farei quanto tudo arde?
[imagens de Pagan Poetry, Björk]
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sexta-feira, 18 de abril de 2008

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temos uma arma na mão:
entendemos que todo o corpo será o alvo.


somos muitos ao acaso no terrorismo que é ter dos afectos
o logro da inocência:


porque estamos como criminosos na vida


peter hujar

[peter hujar]


a delinquência mais pura do desejo
é uma remissão completa de vísceras para o lado contrário
do amor




temos uma arma em cada verso:


sabemos que todas as noites
não haverá um só sobrevivente que erga do nosso nome


ainda um poema.
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quarta-feira, 9 de abril de 2008

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- uma mãe lentíssima na filiação do amor surge in vitro na memória do amante;
biologicamente,
o amor manipula-se sempre por fora da pele como um seio ausente -
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enfim,
se nas dez mil léguas em que afrontamos o naufrágio de sermos tão breves
pudéssemos também morrer por alguém,
morrer por alguém seria um modo de chegar ao fundo de toda a distância.
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terça-feira, 8 de abril de 2008

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27/novembro/2006
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das leituras transversais
(ou do meu coração ao pescoço)
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Não resistia à força do corpo que não despias e eu sem espaço para dizer,
eu isto, eu e isto
(mais coisa menos coisa)
por entre os amplexos da arritmia que falaria do lado ventrículo

do meu coração,


(A boca fechada, isso, muito fechada
para que eu
sinceramente)

quando o teu beijo no ambulatório dos lábios,
o dilúvio,
era desprevenidamente o imenso
aqueduto
de todas as coisas.


E a tua força a desatar botões, os fechos cerrados da tua roupa a querer rasgar a pele que
eu, eu e mil a mais
em redor do teu desejo,
sofríamos com uma multidão viva encostada
ao pescoço,


(porque tu não detinhas a força acumulada
das barragens - o trânsito dos dias)

E quanto mais,
quanto mais contavas as costuras por cima dos poemas,
mais eu sangrava,
com muito sangue nas avenidas dos silêncios póstumos
.
- das palavras escritas.
...
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sábado, 29 de março de 2008

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Tu:
o meu desejo é uma navalha cruzada de fome
enquanto
entrego os dedos, um a um,
à carne que se afia aos lábios

para que te possua
Inclusivamente
em redor das tuas pernas
terás de caminhar no meu colo
erecto

Eu:
queria tocar-te ou
morrer em troca da tua pele,
repentinamente,
em toda a gente

depois entravas pela fome
como esse animal sôfrego de intimidade,
ejaculando dietas de solidão
nesse amor
e
saias?

Tu:
ainda que gritasse por dentro
do teu corpo,
o teu corpo de florestas
orgânicas e tristes,
a boca nascia prematuramente na pergunta,

és apenas o teu desejo e nada mais estará
na permissão da tua ausência
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quinta-feira, 13 de março de 2008

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diários de spartacus



VI


A entrega era assim:
a luz cravada como um espinho no corpo incomodava
a botânica do silêncio.
Era urgente cobrir toda a pele de terra húmida,
ceifá-la de saliva e respigar a boca com destreza.


Depois,
que sarasse a ferida que o espinho causara na evidência das coisas
e que o sangue escurecesse de sombras.
A entrega era fulminante como só na escuridão se aclara um relâmpago:
o coração erguia-se como uma glande eléctrica,
em descargas.

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adenda: carta do exílio para diários de spartacus

venho falar-te do talento
para o nada.
perdoa-me a subtileza,
mas a tua boca é um seio sem maternidade
alguma
possível.

leio-te continuamente
como se as tuas palavras fossem
de uma doença tropical,
onde despertas a consistência
dessa espécie
de
malária.
tens o dom da febre,
sim,
porque o delírio é uma corda suja
onde enforcas qualquer coisa
de virgem.

A beleza que te trabalha
deixa-te
árdua e intacta
no mundo
,
aqui
nenhuma beleza é trabalhada pelo mundo
de forma mais árdua
que o teu medo,
a tua letra é um modo viciado de estranhares
a tua própria mão.

diários,
se os quisesses polir com o tempo que esgotas
no teu corpo,
era vivê-los como um modo claro
de alimento.
era sentares-te de frente para o fogo,
a caneta na breguilha da voz
e incendiares de vez toda a intimidade.

A experiência é uma invenção

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[itálicos de herberto helder]

quarta-feira, 12 de março de 2008

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É sem medo que chego ao talento do vazio.
Também a pele é doada em vão
à trivialidade da
carne.

Não importa o custo:
no mercado negro do coração, qualquer gesto é
altíssimo.
É sem medo que negoceio a alma num ofício clandestino e
profissional.

Trafico o corpo ao preço da chuva,
a marginalidade do meu sexo
é como um dilúvio que percorre as ruas.

É sem medo que não sei dar-te o meu nome.

De que serve trocarmos os nossos reféns pela violência da paixão?
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[imagem de nan goldin]

segunda-feira, 10 de março de 2008

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É como se vê no filme:
a pessoa é de uma escuridão bíblica, fervorosa
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trabalha-te o barro e
nasces de uma ideia suja de dedos
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a ficção estende-se ao cadastro da memória:
és o silêncio fotográfico no filme do meu susto
.
na verdade, sempre preferiste a invisibilidade da música


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[imagens de troy paiva]

quinta-feira, 6 de março de 2008

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o poema adoenta-se de uma precariedade aflita,
interna-se de veracidade.

a vida por si mesma
basta para que
morra.

usemos da guerra a mão de uma sentença poética:
a mesma mão que fere
será amputada pelo poeta.
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sábado, 1 de março de 2008

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diários de spartacus


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V
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julgado o silêncio, surgiu a culpa.
A culpa era de deus.


*

deus caiu descalço aqui. a ocasião permitia a nudez.
havia muito a especular sobre a perversidade de desejarmos sempre as paixões
mais opacas do corpo.

*

deus era homossexual com as palavras, fodia-lhes as retóricas.
não tínhamos mais nada a acrescentar.



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[imagens de philip-lorca dicorcia, conhecido no corpo visível]








segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

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diários de Spartacus
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I
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aqui o teu rosto é feito sem o comércio do coração. o que virás a receber neste local é a desapropriação do espaço em redor do teu corpo. vais poder mentir inteiramente e jurar que acreditas na tua beleza. não é urgente decidires aqui se a filiação gestante do teu sexo também abraça um sentimento: de todas as formas, é ao acaso que lanças a orfandade do teu silêncio, porque ninguém fala. pouco importa que na morte se habite tanto, dizem-te, o anonimato é a única dor possível. aqui a identidade é um jogo de impunidades, o desejo é apenas a ressurreição de um nome que se deixou morrer, traído. qualquer corpo servirá como mártir porque aqui é na morte que se habita tanto.
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II
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spartacus,

tocaste esse corpo e magnificaste-o na tua boca até sentir que o seu nome
era um império líquido e soberano. era como se a língua emigrasse
para o lado sagrado e intraduzível da pele
e obedecias ao espasmo.
o sémen acabou por descer pelas mãos em busca de uma flor

que essa flor esteja morta pouco importa.
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III
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tocaste o corpo masculinamente porque é
da natureza das pedras serem masculinas.
essa masculinidade das veias em que consistem as partes baixas,
o corpo
pede-te que sangres como o corpo de uma mulher.
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IV
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o sexo é uma cruz explosiva ao peito da noite, visto de longe.
os corpos amontoam-se em redor de segredos apócrifos
no chão que arde.
As línguas invertem o sentido das marés, dos ventos
e dos trabalhos climáticos da paixão.

Os beijos dão-se às escuras do coração.

Adoram Spartacus.
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

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(o que é enigmático é a perda do delírio: entra-se em quê?)
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roland barthes, o exílio do imaginário


posso dizer-te
que o rosto tem um pouco de
mistério

qualquer
um sinal de nascença,
que desce na intromissão da memória
que tenho do rosto:


quando reconheço o rosto, sempre
é na expressão de um domingo que se demora o lado
bissexto do meu coração

só entendo o tempo como alternância de coisas secretas
em que acrescento os dias:

chamássemos dezembro a cada frase em que morremos
para renascer

os anos são alfabéticos e medidos pelas abreviaturas do desejo
em que pensamos descobrir o amor

e se abro a porta, sempre
é para saber se há palavras que cheguem num dia de segunda
para o tempo que procuro
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[imagem de david field,
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

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Poefacto:
a exuberante actividade da "confabulação fonética" ou "a linguagem dos pássaros" *
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que a linguagem dos pássaros seja perceptível
quando se soma os dois lados do coração
e o que se escute pelas partes do todo seja maior
do que o sangue a esquecer



que cheguem os pássaros na migração
poefacta
e concisa das palavras
quando se fala de amor

nos termos da vida

andorinha é uma poética como outra qualquer
quando nos pomos a dizer

há que marcar com a primavera
uma hora a mais na nossa intimidade

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* apropriação do título original de Juan Luis Martinez,
observaciones relacionadas con la exuberante actividad da la "confabulacion fonetica" o "lenguaje de los pajaros"
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exílios

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