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sexta-feira, 18 de abril de 2008

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temos uma arma na mão:
entendemos que todo o corpo será o alvo.


somos muitos ao acaso no terrorismo que é ter dos afectos
o logro da inocência:


porque estamos como criminosos na vida


peter hujar

[peter hujar]


a delinquência mais pura do desejo
é uma remissão completa de vísceras para o lado contrário
do amor




temos uma arma em cada verso:


sabemos que todas as noites
não haverá um só sobrevivente que erga do nosso nome


ainda um poema.
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terça-feira, 8 de abril de 2008

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27/novembro/2006
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das leituras transversais
(ou do meu coração ao pescoço)
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Não resistia à força do corpo que não despias e eu sem espaço para dizer,
eu isto, eu e isto
(mais coisa menos coisa)
por entre os amplexos da arritmia que falaria do lado ventrículo

do meu coração,


(A boca fechada, isso, muito fechada
para que eu
sinceramente)

quando o teu beijo no ambulatório dos lábios,
o dilúvio,
era desprevenidamente o imenso
aqueduto
de todas as coisas.


E a tua força a desatar botões, os fechos cerrados da tua roupa a querer rasgar a pele que
eu, eu e mil a mais
em redor do teu desejo,
sofríamos com uma multidão viva encostada
ao pescoço,


(porque tu não detinhas a força acumulada
das barragens - o trânsito dos dias)

E quanto mais,
quanto mais contavas as costuras por cima dos poemas,
mais eu sangrava,
com muito sangue nas avenidas dos silêncios póstumos
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- das palavras escritas.
...
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

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Poefacto:
a exuberante actividade da "confabulação fonética" ou "a linguagem dos pássaros" *
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que a linguagem dos pássaros seja perceptível
quando se soma os dois lados do coração
e o que se escute pelas partes do todo seja maior
do que o sangue a esquecer



que cheguem os pássaros na migração
poefacta
e concisa das palavras
quando se fala de amor

nos termos da vida

andorinha é uma poética como outra qualquer
quando nos pomos a dizer

há que marcar com a primavera
uma hora a mais na nossa intimidade

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* apropriação do título original de Juan Luis Martinez,
observaciones relacionadas con la exuberante actividad da la "confabulacion fonetica" o "lenguaje de los pajaros"
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

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conta o que é que se passa entre as águas,

e ela achou que era assim:
água para afogar poemas sujos

água levantada
como mulheres em pés altos,
parindo os filhos em correntes de ar,
de encontro às lágrimas

ó mar salgado, quanto de ti
é o que de nós cai,
e se ergue das águas vulcânicas
que nos enchem de arquipélagos
e chega aos olhos chovendo

*

as águas são como países fluidos
da terra onde crescemos,
nós,
as fronteiras de coral em que
viajam as palavras,

e como gente que esculpimos do falar delas até dizer,

conta o que é se passa entre as águas,

elas desaguam manuscritas
porque as queremos tocar por dentro, as pessoas

arde dizer assim todo o amor.


*

arde o fundo das águas,
porque corremos nelas através dos espelhos e
do outro lado,

conta o que é que se passa entre as águas

há a vida ancorada ao rosto.

porque corremos como delírios?

e a água desenha-se nos dedos mais pequenos
em que tocar o rosto é esta mão inteira,
a tremer.

não há formas simples na água,
pois não?

conta o que é que se passa entre as águas

o desejo é tão liquido como a sede,
um aquário tão possível como o mar.

[imagem de robert parke harrison]

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008





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E agora isto,
um envelope aberto a sair da boca
como se a carta chegasse de um lugar anónimo.

E da devolução, dizia:

As palavras seladas de lacre e cuspo,
eu devolvo-as como a fome.
Esta carta que é uma voz desfeita no papel,
da cor da língua, apertando a folha,
eu devolvo-a como a carne.
O cio da página em branco atrai o calcário das mãos e
eu devolvo-lhe as águas.



como se a carta chegasse de um lugar anónimo e
o vómito circulasse ao contrário do sangue,

eu devolvo o poema



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[imagens: naufragos//eugenio recuendo]
mais imagens de eugenio recuendo em silent short movies




segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

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poemanómadas
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já que não podemos procurar deus nas esquinas:
contrabandeemos o silêncio dentro de um coração
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*
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t
r
a
um poema
n
s
v
e
r
.
s.a.l
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a arquitectura do corpo é a[mar]
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um
epitáfio:
assassina-me de um destino
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008



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corpoema
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acho que tanta noite é vir assim para conseguir a frase mais densa
do teu corpo. leio-te pouco a pouco de forma absoluta, quando te comparas ao poema. a tua mão cresce como uma hera em redor
das paredes do poema. do poema, a sílaba do amor quando alcanço os parapeitos da tua boca e a escansão do teu sabor. acho que tanta noite é vir assim
para conseguir-te mais dentro do poema. abres-te vorazmente indicativo quando falas de uma gramática. e eu declino-te continuamente sede
e fome na língua. o teu verso cresce na limpidez da saliva que nasce da tua boca ao céu-da-boca da minha língua. a língua aberta.
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acho que tanta noite é vir assim
para conseguir-te mais dentro
do poema.
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

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um poema
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v
e
r
t
i
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cal
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[conheces algum silêncio mais alto do que esta casa?]

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[nan goldin//heart-shaped bruise]
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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

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podia surgir do Inverno e descer pelo pescoço até estreitar todo o corpo numa estação. podia surgir no gesto entre duas mãos surripiando um adeus à distância quando tocam aqui. podia surgir contra ou em favor de nós, culpados de abrir fogo pelo rastilho das noites até que um incêndio. podia descer pela luz, abrir os divãs e ensurdecer-se de pele num corpo escuro. podia surgir da saliva, ou de uma língua pura das palavras, quando os sentidos se tocam pela boca.

podia ser um nome

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

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somos apenas um silêncio conceptual desse labirinto
que é a matéria do sono

o que acordamos de dia para dia é apenas a insónia
de um plágio.
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A ilusão é a maioridade da nossa ausência
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[fizesse então sentido perder-me nas ruas
dizes
amanhã escreverei um poema

de encontro
a nós]
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exílios

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