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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

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everyman has flowers falling from the wrists like giant hands
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uma dor finíssima

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[montagens de antigas fotografias, respiração]
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

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o que é irreparável é que a roupa caia do inverno como dos dedos, quando despir acontece assim: irrespirável, quando os poros raiam da chuva um brilho a orvalhar a nudez. Para isso, as palavras inventam-se como se conjugam as estacões: imprevisíveis. é como contrair os músculos de sangue: a carne enrubescida pelo frio pesa em dias assim, irreconciliáveis com a pele.
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* fotograma nocturno


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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

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acontece que aqui mora alguém. acontece, dizes,
Somos un sueño imposible que busca la noche,
este terceiro andar alto: é a voz que se enche negra da cidade e a cobre de mantos.
acontece que o sopro é uma milonga destas calçadas apertando-se na garganta,
quando o vento irrompe pelas cortinas.
e a luz derrubada no colo como um lugar acesso, pousada na flor do teu sexo.
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uma grafonola insiste no coração das palavras e uma guitarra dedilhando a voz,
Somos en nuestra quimera Doliente y querida Dos hojas que el viento Juntó en el otoño.
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então as bocas juntam-se em segredo
acontecendo nas línguas ao cantar de um dilúvio.

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[itálico, Somos, Chavela Vargas]
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008



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corpoema
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acho que tanta noite é vir assim para conseguir a frase mais densa
do teu corpo. leio-te pouco a pouco de forma absoluta, quando te comparas ao poema. a tua mão cresce como uma hera em redor
das paredes do poema. do poema, a sílaba do amor quando alcanço os parapeitos da tua boca e a escansão do teu sabor. acho que tanta noite é vir assim
para conseguir-te mais dentro do poema. abres-te vorazmente indicativo quando falas de uma gramática. e eu declino-te continuamente sede
e fome na língua. o teu verso cresce na limpidez da saliva que nasce da tua boca ao céu-da-boca da minha língua. a língua aberta.
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acho que tanta noite é vir assim
para conseguir-te mais dentro
do poema.
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terça-feira, 20 de novembro de 2007

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agarro-te tantas vezes as mãos e não sei como dizer-te:
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em vão falamos dos carrosséis em redor de coisas difíceis
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sábado, 3 de novembro de 2007

repara como as tuas mãos ardem sempre que gesticulas quase tudo por dentro dessa recusa. trazes a fundo um corte epidérmico de silêncio e negas o teu sangue: de um modo desajeitado, acidentas-te para longe.
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dizes-me, a hemorragia da noite, sempre que me excedo, é um sono profundo em que consigo esquecer-te. se te pudesse beijar hoje todas as feridas, queimar-te os lábios, ficas?



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sábado, 27 de outubro de 2007

Vou dizer-te que um homem sentando neste largo, dizendo: um homem senta-se nesse largo, imenso, para ficar. Era um largo que se abria para dentro da cidade e um homem encerrado numa noite inteira, querendo sair. O homem olhava e a luz descia nas sombras da pele, trazendo o teu rosto. Dizia: trazendo o teu rosto, alguém. E um homem, quieto, abraçando o vento, para dentro de uma noite fria. Alguém de perto, trazendo o rio e tanta gente, apressadamente, para longe. O homem, silencioso, recolhendo a humidade dos passos, nas mãos abertas, permitindo a distância: e o silêncio. o homem não chega, para longe de si, a esse mesmo lugar: o largo descendo pelas fontes como suor e um homem, com sede. Vou dizer-te que um homem sentando neste largo, pedindo: o teu corpo, para dentro dos lábios, como um vómito.
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