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(o que é enigmático é a perda do delírio: entra-se em quê?)
.roland barthes, o exílio do imaginário
posso dizer-te
que o rosto tem um pouco de mistério
qualquer
um sinal de nascença,
que desce na intromissão da memória
que tenho do rosto:
quando reconheço o rosto, sempre
é na expressão de um domingo que se demora o lado
bissexto do meu coração
só entendo o tempo como alternância de coisas secretas
em que acrescento os dias:
chamássemos dezembro a cada frase em que morremos
para renascer
os anos são alfabéticos e medidos pelas abreviaturas do desejo
em que pensamos descobrir o amor
e se abro a porta, sempre
é para saber se há palavras que cheguem num dia de segunda
para o tempo que procuro
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[imagem de david field,
mais em silent short movies]
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10 comentários:
chamássemos dezembro a todas as tuas frases
engano Nuno...:)
aqui é "que sim"....
chega a doer de tão especialmente BELO!!!!!
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beijo.
grato.
e se as palavras são as que procuro no tempo?
Se alguém toca um instrumento é uma harpa de trigo
e se uma flor desponta é uma rosa de sal
O desejo é um delírio doce que balbucia e adormece
Eis que as palavras se estendem como ramos de sangue
e as mãos tocam-nos e não são mais do que folhas do vento.
(o meu favorito de) António Ramos Rosa
ps.: fui eu que eliminei o comentário anterior, desculpa*
entra-se na normalidade.
defuntaMente.
[ sobre a perda do delírio
sente-se um silêncio prolongado.
voltas?
uma espera e uma crença de domingo
(um silêncio de segunda)
[não medir o tempo,
aspirar a essa impossibilidade]
[obrigado Nuno]
abraço
p.s.
fiquei a pensar (ainda) nesse tempo-alternância, entendível.
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não existem palavras suficientes. nunca.
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