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[foto de julie blackmon].
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É quando a casa está escura que surgem os retratos:
os retratos são coisas postas em cima da mesa
como o pão e a fome
dentro da boca.
Coisas deixadas assim ontem,
um copo chegado ao sopro do rosto,
os analgésicos espalhados nos olhos.
Olha tu, por exemplo:
Estás aqui durante a casa toda,
à noite que se atravessa na minha entrada.
Também na minha boca.
O teu retrato é uma evidência suja no tapete da porta,
um rastilho de insónias até à cama pisada,
lama.
Pois,
a casa ocupada, tu ocupando os sítios
onde a casa nunca é limpa:
Os retratos estão sempre nos sítios da casa mais fechados,
mais ao pó.
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8 comentários:
e regressar assim é um
luxo!!!!!!
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que bom ler-te. de novo.
e sempre.
beijo Nuno.
é por aqui...
gosto muito assim.
beijo
opá, opá:)
tão mas tão bom.
se eu tivesse uma casa como a tua não deixaria nunca que a limpassem...
...nem sequer o pó...
:)
A princípio não te reconheci, procurava outra assinatura abaixo do poema. Não sei se o pó estará no retrato, se no olhar que o procura. Há coisas que nunca se sabem.
É muito bom reler-te.
The day you changed the world you were alone
Estpu com o que diz quem me precedeu...Um belo poema.
Vim parar aqui por acaso. Gostei deste poema. Fica o registo.
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